Economista Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda fala dos possíveis riscos no governo de Bolsonaro

Ao proferir palestra nesta sexta-feira (30), em São Luís, no I Workshop de Combustíveis do Maranhão, promovido pelo Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis (Sindcombustíveis), o economista Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda no governo de José Sarney, pediu prudência aos empresários para não se deixarem cair em tentação com os cenários exageradamente otimistas traçados por agências de economia e o mercado de ações na bolsa de que tudo vai melhorar a partir de 2019, pois Jair Bolsonaro tem tudo para dar certo, porém há riscos de algo dar errado. Apesar do alerta, disse que também está otimista com o novo governo, mas é sempre bom ter um pé atrás para não ser surpreendido por um desvio de cenário.

De acordo com o ex-ministro, o novo presidente vai encontrar o país numa situação bem melhor da que foi deixada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ele acredita que Jair Bolsonaro poderá aprovar, no período de “lua-de-mel” com o Congresso Nacional, a reforma da Previdência Social, que é a mais urgente de todas, pois, se não for feita, o Brasil não vai conseguir fechar a conta nos próximos anos. Além disso, vai encontrar um país saneado, em crescimento econômico, ainda que tímido, e uma população sensibilizada e motivada a aceitar as mudanças propostas na campanha.

Mailson, no entanto, vê com preocupação a agenda política, pois não sabe qual poderá ser a consequência desta quebra de paradigma que o novo presidente quer impor ao Congresso, deixando de lado os partidos para negociar diretamente com bancadas. Isto, segundo ele, é um risco, pois seria um atropelo aos líderes partidários, às direções das legendas etc. Ele fez questão de ressaltar que não está criticando essa linha de pensamento, apenas na expectativa se isto será aceito ou não pelos políticos, pois “nunca ninguém tentou esse tipo de relação”.

Itaqui poderá ser a alavanca para impulsionar a economia do Maranhão, segundo Mailson da Nóbrega

O ex-ministro também defendeu um Imposto Único (IVA), pois ele acabaria com a guerra fiscal e a confusão que hoje existe com cada estado adotando um tipo de alíquota para o ICMS, criando uma grande confusão para o empresariado, pois é preciso conhecer a política fiscal de cada estado, com o agravante de que elas mudam pelos menos 70 vezes por ano. Ele observou ainda que os estados estão muito acomodados com o recolhimento de ICMS sobre três itens – energia, telecomunicações e combustíveis – e em alguns estados há casos em que metade da conta paga pelo consumidor é imposto.

Maranhão – Embora admita que não vem estudando profundamente a economia maranhense, disse que, pela sua observação à distância, o estado tem tudo para decolar sua economia, principalmente por conta do agronegócio e a infraestrutura de transporte, sustentada pelo Porto do Itaqui e a malha ferroviária, com a interligação das estradas de ferro Carajás, Norte-Sul e Transnordestina, que vão aumentar a importância de São Luís como porta de entrada e saída de mercadorias de origem ou com destino a outros países, pelo transporte marítimo.

Indagado sobre o que pensa das zonas de exportação, que tem o senador Roberto Rocha (PSDB) como um dos maiores defensores, já que é autor do projeto da Zona de Exportação do Maranhão (Zema), disse não ser otimista com elas. “Tentamos isto no Governo Sarney e não conseguimos avançar”, disse ele, acrescentando que isto é mais ideiade chinês.

Fonte: Maranhão Hoje

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